O resultado mostra aumento em relação ao trimestre móvel terminado em novembro, quando a taxa era de 5,2%, mas marca um recorte positivo para o mês de fevereiro ao comparar séries históricas.
Em paralelo, o rendimento médio mensal do trabalhador atingiu o maior patamar já registrado, impulsionando a leitura mista do mercado de trabalho no período.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (27), conforme informação divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No trimestre terminado em fevereiro, o Brasil tinha 102,1 milhões de pessoas ocupadas e 6,2 milhões à procura de trabalho, enquanto no trimestre de setembro a novembro de 2025 eram 5,6 milhões em busca de vagas.
No trimestre terminado em novembro, o número de ocupados era 874 mil a mais. O IBGE explica que o aumento da desocupação é explicado pela perda de vagas nos segmentos de saúde, educação e construção.
Sobre a dinâmica setorial, a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, afirmou, “Parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público. Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, repercutindo no nível da ocupação dessa atividade.”
Apesar da elevação da taxa de desocupação, o rendimento médio mensal do trabalhador no trimestre encerrado em fevereiro foi de R$ 3.679, o maior já registrado.
Esse valor ficou 2% acima do trimestre encerrado em novembro de 2025 e 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, e é considerado em termos reais, ou seja, já descontada a inflação dos períodos de comparação.
Sobre a origem do aumento, Adriana Beringuy disse, “O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores, acompanhada de tendência de maior formalização em atividades de comercio e serviços”, elucidando parte da melhora nos ganhos médios.
O número de empregados no setor privado com carteira assinada foi de 39,2 milhões, estável em relação ao trimestre móvel terminado em novembro e em relação ao mesmo período de 2025.
O total de trabalhadores por conta própria ficou em 26,1 milhões, estável entre trimestres seguidos e com aumento de 3,2% ante o mesmo período de 2025, o que representa mais 798 mil pessoas.
A taxa de informalidade foi de 37,5% da população ocupada, ou 38,3 milhões de trabalhadores informais, contra 37,7% no trimestre encerrado em novembro. Informais são trabalhadores sem garantias trabalhistas, como cobertura previdenciária e férias.
A Pnad Contínua apura o mercado de trabalho para pessoas a partir de 14 anos e considera todas as formas de ocupação, temporária e por conta própria incluídas. Pelo critério do IBGE, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa, que visita 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
Na série iniciada em 2012, a maior taxa de desocupação registrada foi de 14,9%, atingida nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19. A menor foi 5,1% no quarto trimestre de 2025.
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