A convivência entre o Simples Nacional e o novo modelo do IVA Dual (CBS e IBS) inaugura uma fase de mudanças estruturais que altera profundamente a tributação de micro e pequenas empresas.
A possibilidade de optar pela tributação “por dentro” ou “por fora” do Simples, permitindo que compradores se creditem do IVA, já se posiciona como um dos temas mais discutidos entre contadores, empresários e consultores tributários em 2026.
Essa nova dinâmica exige atenção redobrada dos profissionais de Ciências Contábeis, que agora precisam atuar não apenas na conformidade fiscal, mas também no planejamento estratégico e competitivo das empresas.
No contexto de uma reforma tributária em plena implantação, compreender as implicações dessas regras é essencial para orientar decisões que podem definir a sobrevivência de negócios de pequeno porte.
Este artigo aprofunda os elementos fundamentais da mudança, suas bases legais, riscos operacionais, oportunidades e os impactos diretos nas rotinas contábeis.
A Emenda Constitucional nº 132/2023 trouxe a possibilidade de empresas optantes pelo Simples Nacional escolherem entre dois modelos:
A empresa paga todos os tributos dentro do DAS único, e o comprador não tem direito ao crédito de IVA, o que reduz competitividade especialmente em transações B2B.
A empresa continua no Simples, mas passa a recolher CBS e IBS separadamente, fora do DAS.
Nessa modalidade:
1 - O comprador pode se creditar do IVA.
2 - A empresa do Simples precisa cumprir obrigações acessórias típicas de não optantes (notas com destaque, parametrizações, controles).
3 - O contador deve avaliar impacto tributário total antes de recomendar a mudança.
Essa regra amplia a complexidade fiscal e exige do profissional contábil domínio técnico do novo IVA e capacidade analítica para simular cenários comparativos com precisão.
Nos últimos meses, consultorias, órgãos de classe e entidades como Sebrae, Fenacon e CFC publicaram estudos e pareceres sobre os efeitos práticos dessa flexibilização. Os motivos são claros:
1 - O IVA coloca todos os negócios — micro, médios e grandes — dentro de uma cadeia creditícia interligada.
2 - Clientes B2B pressionam empresas do Simples para aderirem ao modelo “por fora”, buscando créditos fiscais.
3 - A decisão errada pode gerar aumento de carga tributária, perda de mercado ou riscos de autuações por parametrização incorreta.
Contadores relatam aumento expressivo de solicitações de análise comparativa, indicando que essa tendência já está consolidada e deve crescer ao longo de 2026.
A decisão entre permanecer no sistema tradicional ou migrar para o modelo “por fora” exige estudo profundo. Entre os impactos já observados estão:
Empresas no Simples que optarem por permitir crédito precisarão destacar:
1 - CBS 2 - IBS 3 - CEST, NCM, NBS e códigos correlatos 4 - alíquotas específicas previstas nos sistemas dos comitês gestores A parametrização incorreta pode gerar glosas de crédito e futuras autuações.
A complexidade aumenta em setores que possuem:
1- múltiplos regimes fiscais 2 - operações interestaduais 3 - atividades mistas 4 - benefícios fiscais regionais 5 - vendas para órgãos públicos O contador deve adotar matrizes tributárias atualizadas e sistemas capazes de acompanhar essas regras.
O Simples Nacional deixa de ser, em muitos casos, o regime automaticamente mais vantajoso. Em cadeias B2B, por exemplo, empresas fora do Simples podem se tornar mais competitivas.
Em 2026, cresce a busca por análises como: 1 - comparação entre DAS e IVA “por fora” 2 - simulação de regimes (Simples, Presumido e Real)
3 - projeção de carga tributária por atividade
4 - estudo do impacto do crédito para o comprador
O profissional contábil assume um papel consultivo estratégico.
Embora o Simples seja historicamente sinônimo de simplificação, o novo cenário provoca mudanças relevantes.
1 - Aumento de obrigações acessórias.
2 - Perda de competitividade caso permaneça “por dentro” em ambientes B2B.
3 - Erros em parametrizações de notas fiscais.
4 - Carga tributária superior ao esperado quando mal analisada.
5 - Risco de escolha equivocada de regime.
1 - Ganhos de competitividade quando o crédito ao comprador fizer diferença.
2 - Possibilidade de reposicionamento estratégico da empresa.
3 - Capacidade de negociar preços melhores na cadeia produtiva.
4 - Atuação consultiva do contador como diferencial de mercado.
O Simples Nacional deixa de ser apenas um regime e passa a ser uma decisão estratégica, com impactos diretos na competitividade das empresas.
A atuação do contador torna-se decisiva neste momento. Algumas práticas recomendadas incluem:
1 - analisar o perfil do cliente (B2B, B2C, B2G) 2 - simular cargas tributárias com dados reais 3 - identificar gargalos de parametrização 4 - acompanhar atualizações dos comitês gestores 5 - comunicar riscos de maneira clara e acessível
6 - monitorar alterações nas legislações estaduais e municipais
A palavra‑chave aqui é diagnóstico. Sem uma análise técnica adequada, a escolha do modelo pode trazer mais prejuízos que benefícios.
A relação entre Simples Nacional e IVA representa um dos pontos mais sensíveis da Reforma Tributária para pequenos negócios. A escolha entre tributação “por dentro” ou “por fora” deixa de ser apenas um ajuste operacional e se torna um movimento estratégico que impacta competitividade, margem de lucro e posicionamento de mercado.
Como O CONTADOR, recomendo que profissionais contábeis adotem uma postura proativa: realizem estudos comparativos, revisem parametrizações fiscais e preparem seus clientes para um ambiente tributário mais dinâmico e exigente.
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!