O drex, versão em moeda digital do real brasileiro, inicia a segunda fase de testes regulatórios em 2025 e já exige que escritórios contábeis revisem políticas de classificação de caixa, conciliem saldos em tempo real e reforcem controles de KYC para evitar riscos de lavagem de dinheiro. A iniciativa, conduzida pelo Banco Central, prevê emissões controladas de tokens soberanos conversíveis a uma taxa de um para um com o real físico, criando novo elemento de ativo financeiro nos balanços das companhias.
Em abril de 2025 o Banco Central publicou diretrizes técnicas que ampliam o piloto para instituições de pagamento não bancárias, detalhando critérios de liquidação atômica via contratos inteligentes e uso de APIs padronizadas. O documento estabelece que a plataforma definitiva do drex entre em operação comercial em 2026, com fase preparatória de cadastramento de chaves e trilhas de auditoria blockchain durante todo o segundo semestre de 2025.
A circular conjunta do BC e do Coaf intensifica políticas de “know your customer” na camada varejo, impondo testes biométricos para abertura de carteiras digitais e relatórios de transação suspeita em até 24 horas. Tais obrigações recaem sobre instituições financeiras e impactam a reconciliação contábil, pois cada transferência de drex carrega metadados de titularidade que precisam refletir-se nos registros de clientes e fornecedores.
Enquanto o CPC ainda discute norma local, orientações baseadas no IFRS sugerem classificar moedas digitais de banco central como ativos financeiros indexados a curso legal, diferindo de criptoativos privados normalmente tratados como intangíveis. Nos casos em que o drex for mantido para liquidez imediata, o ativo tende a integrar “Caixa e equivalentes de caixa” nas demonstrações financeiras, exigindo divulgação específica na nota de políticas contábeis.
Na data de aquisição, o reconhecimento ocorre ao valor nominal de emissão do drex, sem ágio ou deságio, pois não há variação cambial. A mensuração subsequente permanece ao custo, dadas as características de estabilidade do token, salvo provisões para perda esperada caso a contraparte do custodiante apresente risco de crédito.
A tokenização estatal viabiliza liquidação instantânea, o que pressiona processos de conciliação a migrarem para métodos contínuos. Cada evento blockchain gera hash de verificação, e sistemas ERP precisarão importar esses dados para ajustar subcontas de forma automática, mantendo rastreabilidade entre a carteira de drex e contas bancárias tradicionais. Além disso, diferenças devem ser investigadas imediatamente, pois a janela de contestação é reduzida pela imutabilidade do registro distribuído.
Embora o drex não gere ganho cambial, operações que envolvem descontos ou remuneração em tokens podem configurar receita financeira sujeita a IRPJ e CSLL, conforme precedentes sobre descontos concedidos em meio de pagamento próprio. A escrituração deve segregar tais rendimentos e apurar tributos na competência, evitando contingências.
A adoção institucional do drex impõe ciclos de aprovação dual e segregação de funções, dado que a chave privada detém poder irreversível de transferência. Controles de acesso lógico devem ser revisados à luz da NBC TA 315 (R2), que obriga o auditor a avaliar riscos decorrentes de novas tecnologias. A ausência de trilhas adequadas pode resultar em opinião modificada na auditoria independente.
Como não existe mercado ativo que reflita valor distinto de face até o momento, não se espera impairment do drex; contudo, perdas podem surgir se houver falha sistêmica no custodiador, o que exige divulgação de riscos operacionais na nota de instrumentos financeiros. A apresentação no balanço deverá segregar os saldos da moeda digital em linha própria, somada aos equivalentes de caixa para fins de análise de liquidez.
Com o cronograma de testes avançando e diretrizes contábeis em elaboração, a implementação do drex em 2025 demanda reconfiguração de ERPs, adaptação do plano de contas, políticas robustas de KYC e conciliação contínua para assegurar integridade dos registros e conformidade regulatória. Escritórios que estruturarem esses controles desde já reduzirão riscos de retrabalho e inconsistências quando a moeda digital se tornar meio de pagamento cotidiano em 2026.
Autor: Andres Lustosa
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