
Fed monitora ritmo acelerado de investimentos em IA para evitar novas crises financeiras globais
O avanço tecnológico ganhou uma velocidade impressionante nos últimos meses, atraindo bilhões de dólares de grandes corporações globais. Esse cenário colocou o mercado financeiro em estado de total atenção.
A busca incessante por inovação faz com que empresas acelerem seus aportes em infraestrutura, chips e novos sistemas inteligentes. Contudo, essa corrida frenética começa a levantar dúvidas sobre a sustentabilidade real desses aportes.
Diante desse cenário de forte especulação, o ritmo acelerado de investimentos em IA entrou oficialmente no radar de autoridades do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, conforme informações divulgadas pela Reuters.
Entusiasmo do mercado e debates sobre bolha financeira
O presidente do Fed de Nova York, John Williams, buscou acalmar os ânimos ao analisar o atual momento do mercado de tecnologia. Ele destacou que o cenário atual reflete um forte otimismo.
Em entrevista à Reuters, Williams afirmou: “Não vejo isso como uma situação do tipo bolha”. Ele explicou que o mercado vive um nível muito alto de entusiasmo em torno da nova tecnologia.
Segundo ele, “os investidores estão tentando, em tempo real, resolver um problema quase intratável, que é: quão grandes serão os benefícios da IA?”, e tentar responder a essas perguntas levará à volatilidade.
Williams disse que, embora tenha havido um aumento nos empréstimos para apoiar os investimentos em IA, isso está sendo administrado por empresas com lucros elevados, observando: “Não estou tão preocupado com a estabilidade financeira decorrente da alavancagem no momento”.
Comparação com crises históricas e o peso do endividamento
Embora o otimismo predomine em alguns setores, economistas de grandes gestoras de recursos avaliam os dados históricos para entender a real dimensão desse movimento financeiro global.
Torsten Slok, economista-chefe da gestora de recursos Apollo, apontou que “a expansão dos data centers ainda é inferior à metade do tamanho do boom imobiliário, que atingiu seu pico em 6,6% do PIB em 2005”.
Apesar disso, Slok ponderou que o ritmo de crescimento desses aportes em relação ao PIB está avançando de forma mais rápida do que o setor imobiliário no período que antecedeu a crise financeira global.
Preocupações com o risco de o setor se tornar grande demais para falir
Nem todos os membros do banco central americano compartilham da mesma tranquilidade. Algumas autoridades expressam forte preocupação com a complexidade dos contratos de financiamento atuais.
O presidente do Fed de Kansas City, Jeff Schmid, questionou se o setor não estaria caminhando para se tornar grande demais para falir, um termo muito utilizado para designar instituições sistêmicas.
Schmid questionou: “Será que o movimento circular de um compromisso, digamos, um compromisso contratual de um data center com um fornecedor de energia e com a comunidade que ele atende, será que esse círculo está ficando muito alavancado? E se surgir uma faísca que acenda uma chama, o que vai acontecer?”
Monitoramento preventivo e o futuro dos ativos tecnológicos
A presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, também se manifestou sobre o tema, ponderando que, “se você apenas observar a taxa de crescimento e o volume” de investimento no setor de IA, poderia facilmente concluir que isso é “muito preocupante”.
No entanto, Daly amenizou o alerta ao explicar que muitos compromissos assumidos atualmente ainda são apenas anúncios e não se transformaram em ativos físicos reais, reduzindo o risco de ativos ociosos após correções de mercado.
Para a economista, o papel do Fed agora é montar um painel de monitoramento preventivo, não sobre o que aconteceu na crise financeira anterior, mas sobre o que poderia dar errado e fazer com que a situação saia do controle no futuro.