
ECD: troca de contabilidade no mesmo exercício é tema complexo para quem enfrenta a substituição de contador dentro de um mesmo ano‑calendário. Neste texto técnico e direto, apresento orientações embasadas nos Manuais da ECD e da ECF, abordando o registro I157, encerramentos trimestrais e a sequência correta de entrega. O foco é garantir conformidade contábil, evitar retrabalho e assegurar a integração dos saldos patrimoniais.
Base legal e regulamentação
A Escrituração Contábil Digital (ECD) é regulamentada pela Instrução Normativa RFB nº 2.003/2021 e detalhada no Manual de Orientação do Leiaute da ECD (versão 9), que prevê procedimentos específicos para troca de escritório e mudança de plano de contas durante o mesmo exercício. Quando há alteração na codificação contábil ou responsabilidade contábil, torna-se obrigatório o uso do registro I157, conforme orienta o manual.
Procedimento técnico – etapas essenciais
Encerramento pelo contador anterior
O ex‑contador deve encerrar a contabilidade até o último dia útil do trimestre anterior à troca (por exemplo, 30/06/2024) e transmitir o arquivo ECD correspondente. Esse envio deve conter o balanço com zeramento das contas de resultado, atendendo às exigências do SPED.
Geração da ECD pelo novo contador
Após a entrega da ECD anterior, o novo contador deve gerar o seu arquivo referente ao período subsequente (por exemplo, de 01/07 a 31/12/2024). Nesse arquivo, é fundamental a inclusão do registro I157, responsável por vincular os saldos finais do plano de contas do contador anterior aos saldos iniciais do novo.
Importação e validação no PVA
No programa PVA da ECD, o novo contador deve importar o arquivo transmitido pelo ex‑contador. A partir dessa importação, o sistema realiza automaticamente o relacionamento “de/para” sempre que existirem saldos correspondentes. Eventuais contas não reconhecidas devem ser vinculadas manualmente.
Registro I157: função crítica
O registro I157 viabiliza a transferência de saldos entre planos de contas distintos sem necessidade de lançamentos contábeis manuais. Essa transmissão é crucial para que a ECF reconstrua o histórico financeiro completo da empresa, sem ajustes manuais adicionais ou necessidade de substituição de arquivos posteriormente.
Consequências da não utilização do I157
A omissão do registro I157 faz com que a ECF recupere apenas o segundo arquivo, ignorando o período anterior. Nessa situação, o profissional terá que realizar correções manuais na ECF ou substituir a ECD, ambos com riscos de retrabalho, inconsistências e penalidades potenciais.
Fluxo ideal de entrega da ECD
Contador anterior encerra e transmite ECD até data da transição.
Novo contador importa esse arquivo e gera o seu, incluindo o registro I157.
Valida os saldos no PVA, corrigindo incongruências.
Somente após a confirmação de envio da ECD anterior, transmite sua própria.
Na ECF, o sistema recupera ambos os arquivos de forma automática, sem necessidade de retificação.



