Estudo do MTE: Acidentes de trabalho saltam 65,8% entre 2020-2025; 806.011 ocorrências e 3.644 mortes expõem riscos em saúde, transporte e construção

Escrito por Andres Lustosa - Contador e CEO
em 5 de maio de 2026

Estudo do MTE: Acidentes de trabalho saltam 65,8% entre 2020-2025; 806.011 ocorrências e 3.644 mortes expõem riscos em saúde, transporte e construção

Acidentes de Trabalho Atingem Pico Histórico em 2025, Revela Estudo do MTE

Um estudo recente do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) trouxe à tona um cenário preocupante sobre a segurança no ambiente de trabalho no Brasil. Os dados consolidam um panorama de acidentes de trabalho entre 2016 e 2025, com base em registros oficiais do INSS e do eSocial. O levantamento abrange um total impressionante de 6,4 milhões de acidentes e 27.486 óbitos no período.

O ano de 2025 marcou um recorde assustador, com 806.011 acidentes registrados e 3.644 mortes. Este número representa um aumento significativo em relação aos anos anteriores, especialmente após a retração causada pela pandemia de COVID-19. Entre 2020 e 2025, os acidentes aumentaram 65,8%, e os óbitos, 60,8%, acompanhando a retomada econômica e a expansão do emprego formal.

Apesar do aumento absoluto, o estudo do MTE aponta uma redução na taxa de incidência de acidentes ao longo da década, de 29,39 para 17,94 a cada 100 mil trabalhadores. Isso sugere que o crescimento do emprego formal ajudou a diluir o risco médio, mas o volume total de ocorrências acende um alerta para a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção e as condições de trabalho no país. Conforme informação divulgada pelo MTE, o estudo reúne 6,4 milhões de acidentes e 27.486 óbitos no período.

Setores e Profissões em Destaque nos Acidentes de Trabalho

A análise setorial revela que o setor de saúde, particularmente hospitais e prontos atendimentos, lidera o ranking de acidentes, com quase 633 mil registros na década. Em contrapartida, o transporte rodoviário de carga se destaca pela gravidade, sendo o principal responsável pelo número de mortes, com 2.601 óbitos. Atividades como obras de montagem industrial também apresentam taxas de incidência elevadas, indicando riscos significativos.

No que diz respeito às ocupações, técnicos de enfermagem registraram o maior número de acidentes. Já os motoristas de caminhão concentram o maior número de mortes, com 4.249 óbitos em dez anos, uma média superior a um por dia. O estudo também aponta para riscos diversos, incluindo acidentes de trajeto e violência, como na área de vigilância.

Impacto Regional e Tipos de Acidentes de Trabalho Mais Frequentes

Regionalmente, São Paulo lidera em número absoluto de acidentes e mortes, respondendo por mais de um terço dos registros. No entanto, estados como Mato Grosso, Tocantins e Maranhão apresentam taxas de letalidade mais altas. Mato Grosso, em particular, combina alta incidência com elevada letalidade, cenário associado a atividades como agronegócio, transporte e construção civil.

Quanto aos tipos de acidentes, os casos típicos ainda são os mais comuns, representando 64,6% do total. Contudo, os acidentes de trajeto ganham relevância, somando 19,3%. As doenças ocupacionais tiveram um aumento expressivo em 2020, influenciadas pela pandemia, chegando a 35.290 casos, mais que o dobro do habitual. As mulheres também tiveram sua participação crescente nos registros, representando 34,2% do total acumulado, com um aumento de 48% ao longo da série, especialmente nos setores de saúde e serviços.

Análise Detalhada da Série Histórica de Acidentes de Trabalho

O estudo do MTE detalha que, entre 2020 e 2025, os acidentes de trabalho cresceram 65,8%, passando de 486.303 para 806.011 ocorrências. No mesmo período, os óbitos aumentaram 60,8%. O ano de 2025 registrou o maior número de acidentes e mortes da série histórica. Apesar da queda na taxa CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) de 29,39 em 2016 para 17,94 em 2025, reflexo da formalização do emprego, o aumento absoluto de acidentes indica que a segurança não acompanhou proporcionalmente o crescimento do mercado formal de trabalho.

O impacto na força de trabalho é alarmante: mais de 106 milhões de dias de trabalho foram perdidos em dez anos. Os dias debitados, que representam o impacto permanente de lesões graves e mortes, somam 248,8 milhões. Observou-se um salto significativo nos dias perdidos entre 2021 e 2024, passando de 7,5 milhões para mais de 17-18 milhões anualmente, o que pode estar associado ao aumento de acidentes mais graves e de trajeto.

A participação feminina nos acidentes de trabalho cresceu consistentemente, passando de 198.144 em 2016 para 293.204 em 2025, um aumento de 48%. Esse avanço é explicado em parte pela maior presença feminina em setores como saúde e serviços, que apresentam riscos inerentes.

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