
Saneamento básico avança com força no país e empresas privadas assumem serviços de água e esgoto em milhares de municípios brasileiros
A busca pela universalização dos serviços de água e esgoto ganhou um ritmo acelerado nos últimos anos no Brasil, transformando a realidade de milhões de cidadãos que sofrem com a falta de infraestrutura básica.
Essa mudança profunda ocorre principalmente devido à crescente participação de empresas particulares, que assumiram a liderança dos investimentos em diversas regiões do território nacional.
Conforme levantamento do estudo Panorama da Universalização, realizado pela Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento), a atuação privada no saneamento básico já alcança quase metade das cidades brasileiras.
O avanço acelerado após o Marco Legal do Saneamento
O crescimento no número de leilões de saneamento básico teve um salto expressivo após a aprovação do novo Marco Legal de Saneamento, sancionado no ano de 2020.
A nova legislação acabou com os antigos contratos de programa, que eram firmados sem licitação entre as prefeituras e as companhias estaduais de saneamento.
Com a obrigatoriedade dos processos de licitação, o mercado se abriu para as concessões privadas, atraindo bilhões de reais em novos investimentos para o setor.
Os modelos de contratos que dominam as cidades
De acordo com os dados apresentados pela Abcon, a iniciativa privada alcançou a marca de 2.720 municípios atendidos até o mês de junho de 2026, o que representa 48,8% das cidades.
Entre as cidades com atuação privada, a grande maioria, cerca de 84%, é atendida por contratos de concessão plena de água e esgoto.
Nesse modelo de concessão, a responsabilidade total pelo atendimento da população é transferida para a empresa privada parceira.
Outros 14% dos municípios adotam as chamadas Parcerias Público-Privadas, as PPPs, modelo que divide as responsabilidades e os riscos entre o governo e a empresa.
Por fim, apenas 2% das cidades utilizam o modelo de concessão parcial, no qual o parceiro privado cuida de apenas uma parte do sistema, como o esgoto.
Bilhões em investimentos e as metas para 2033
Entre os anos de 2020 e junho de 2026, foram realizados 70 leilões de saneamento básico, que garantiram mais de R$ 227 bilhões em investimentos contratados.
Esses projetos já abrangem 100 milhões de pessoas em 2.480 municípios, e ainda existem 31 novos projetos em estruturação no país, com projeção de R$ 32 bilhões.
O grande objetivo do Marco Legal é garantir, até o fim de 2033, o atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.
A realidade do acesso à água e esgoto no Brasil
O estudo da Abcon mostra que 780 municípios já alcançaram as metas de universalização de água, representando 32% da população estimada para 2033.
No entanto, apenas 321 municípios conseguiram universalizar a coleta e o tratamento de esgoto, o que equivale a somente 20% da população prevista.
Em 2025, o Brasil registrou 68,3 milhões de domicílios com acesso à rede de água, um aumento de 2,4% em comparação com o ano anterior.
Já o acesso ao esgoto cresceu 4% no mesmo período, alcançando a marca de 56,4 milhões de residências brasileiras com o serviço.