
Entenda a polêmica sobre o déficit zero declarado pelo governo e os números reais que mostram rombo bilionário nas contas públicas
O debate sobre a real situação da economia ganhou um novo capítulo polêmico após declarações recentes do Ministério da Fazenda sobre as contas públicas do país.
A divergência entre o discurso político de equilíbrio fiscal e os dados técnicos oficiais do Tesouro Nacional acendeu um alerta entre economistas e analistas do mercado financeiro.
De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o governo federal tem utilizado manobras permitidas por lei para sustentar a narrativa de que o orçamento está equalizado.
O que diz o ministro Dario Durigan sobre o déficit
Durante uma entrevista à GloboNews, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, afirmou que o governo Lula conseguiu zerar o déficit primário da União a partir de 2024.
Segundo Durigan, o país alcançou a estabilização das contas em 2024 e 2025, garantindo que hoje o Brasil não possui mais um saldo negativo em suas contas primárias.
O Ministério da Fazenda reforçou que o secretário tratou da trajetória fiscal e que a meta de déficit zero passou a ser perseguida com afinco pela equipe econômica.
Os números reais do Tesouro Nacional mostram outra realidade
Apesar do otimismo do governo, os dados oficiais do Tesouro Nacional mostram um cenário bem diferente e registram déficits seguidos nos últimos anos.
As estatísticas apontam que o governo federal registrou um déficit primário de R$ 43 bilhões em 2024, seguido por um rombo de R$ 61 bilhões em 2025.
Para o ano de 2026, a projeção oficial do próprio governo continua no vermelho, com uma estimativa de resultado negativo na casa dos R$ 52 bilhões.
O déficit primário ocorre quando as despesas públicas superam as receitas do governo, sem considerar o pagamento dos juros da dívida pública.
Como as exceções do arcabouço fiscal ajudam a mascarar o rombo
Para afirmar que cumpre a meta de déficit zero, o governo federal precisou excluir uma série de gastos do limite do arcabouço fiscal, a regra aprovada em 2023.
Em 2024, cerca de R$ 29 bilhões destinados ao socorro do Rio Grande do Sul ficaram fora das regras, permitindo que a União declarasse o cumprimento da meta oficial.
Já em 2025, ficaram de fora R$ 41 bilhões em precatórios, além de bilhões em compensações do INSS e projetos estratégicos de defesa nacional.
O Ministério da Fazenda argumenta que o compromisso é a meta de déficit zero com uma margem de tolerância de 0,5 ponto percentual do PIB para mais ou para menos.
Críticas de especialistas sobre a maquiagem das contas públicas
Para o economista Marcos Mendes, professor do Insper, o governo acabou quebrando o termômetro ao realizar um grande volume de despesas por fora do orçamento.
Mendes afirma que o governo converteu um superávit primário em déficit, que se estabilizou na faixa de 0,4% a 0,5% do PIB após um grande salto inicial em 2023.
O diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente, Marcus Pestana, defendeu que o arcabouço fiscal seja mantido, mas sem as exceções que excluem gastos bilionários.