
Como o Grupo Fleury alcançou lucro 45,7% maior no segundo trimestre e por que as aquisições seguem no radar da companhia
O setor de saúde e medicina diagnóstica no Brasil ganha um novo destaque com os resultados financeiros recentes de uma das maiores empresas do país, que acaba de completar seu centenário de fundação.
O desempenho surpreendeu positivamente os analistas financeiros, que previam um ritmo mais lento devido a fatores sazonais, mas viram a empresa acelerar seu crescimento de forma expressiva.
O Grupo Fleury tem lucro 45,7% maior no segundo trimestre e mantém aquisições no radar, conforme informações divulgadas em seu balanço oficial e em entrevista da diretoria à Folha.
Os números por trás do crescimento histórico
Durante os meses de abril e junho deste ano, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 221,8 milhões, um salto extraordinário que consolida sua forte liderança no mercado nacional.
A receita bruta do grupo também apresentou uma evolução robusta, atingindo a marca de R$ 2,5 bilhões, o que representa uma alta de 14,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Outro indicador que demonstrou forte evolução foi o Ebitda, que mede os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somando R$ 612,9 milhões, com alta de 15,2%.
Expansão acelerada e novas aquisições no radar
De acordo com a CEO do grupo, Jeane Tsutsui, o avanço é fruto de uma combinação inteligente entre o crescimento das marcas tradicionais e as compras estratégicas de novos negócios.
“Nossa estratégia é crescer organicamente, ganhando market share, mas também fazendo aquisições estratégicas que façam sentido e que contribuam para esse crescimento”, afirmou a executiva.
Entre os movimentos recentes, o Fleury destaca a integração do laboratório Confiance, na região de Campinas, e do LSL, em Rio Claro, ambos localizados no interior do estado de São Paulo.
Além disso, a aquisição do Femme, laboratório focado exclusivamente na saúde da mulher, foi concluída em maio e deve começar a refletir nos balanços financeiros a partir do próximo trimestre.
Decisões estratégicas e mercado fragmentado
O grupo também tomou decisões importantes de recuo, como a desistência do acordo com a Porto para comprar uma participação na Oncoclínicas, que havia sido anunciado anteriormente.
Segundo a CEO, a desistência ocorreu pelo curto prazo de apenas três semanas para realizar a diligência prévia, processo essencial de investigação detalhada antes de fechar o negócio.
Para o diretor financeiro José Filippo, o mercado brasileiro de diagnósticos ainda é muito fragmentado, o que abre espaço para novas oportunidades de fusões e compras de marcas locais.
Filippo destaca que a queda de juros pode aquecer o mercado, mas não altera a capacidade estruturada do Fleury de mapear e realizar novas transações por meio de sua área de fusões.
Superando as expectativas dos analistas
Os resultados do centenário grupo de medicina diagnóstica superaram as projeções de instituições como o Itaú BBA, que temia um impacto negativo de feriados e grandes eventos esportivos.
“Tivemos a Copa do Mundo, mas o impacto da Copa não foi grande”, explicou Jeane Tsutsui, lembrando que os jogos ocorreram no final do dia e não afetaram o fluxo de clientes nos laboratórios.
Com uma gestão focada em disciplina de custos e expansão inteligente, o Grupo Fleury inicia seu segundo século de vida mostrando robustez financeira e apetite por novas marcas.