
Governo federal manifesta profunda insatisfação com acusações do Distrito Federal sobre suposta omissão na crise financeira do BRB
A tensão entre o governo federal e o Distrito Federal ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, com duras críticas vindas diretamente do Ministério da Fazenda sobre os rumos do banco estatal brasiliense.
O embate gira em torno das negociações para viabilizar um socorro bilionário à instituição, que se encontra no centro de uma disputa judicial e política que envolve cifras astronômicas e acusações de fraudes.
A reação de Brasília gerou desconforto na equipe econômica do presidente Lula, conforme informações divulgadas em declarações oficiais do ministro Dario Durigan sobre o impasse envolvendo o BRB.
Reação imediata do Ministério da Fazenda
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que integrantes do governo federal receberam com profunda insatisfação a declaração do GDF de que haveria inércia da União nas negociações.
Segundo Durigan, a avaliação da equipe econômica é de que a acusação do Distrito Federal é totalmente descabida, uma vez que a União tem participado ativamente das tratativas conduzidas no STF.
O ministro ressaltou que o governo federal não possui qualquer participação acionária no BRB, tendo entrado na mediação apenas para ajudar a encontrar uma saída para a crise financeira.
A origem do rombo e o acordo bilionário
A disputa judicial busca viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, com o objetivo de salvar o banco de Brasília após sérios prejuízos recentes.
De acordo com as informações oficiais, o rombo no banco regional foi provocado por operações fraudulentas ligadas ao Banco Master, em um caso que corre sob análise do Supremo Tribunal Federal.
O ministro do STF, Luiz Fux, agendou uma nova audiência de conciliação para tentar destravar o acordo de ajuda financeira, após o GDF acusar a União de manter silêncio por mais de dois meses.
União cobra plano de negócios realista
Em resposta direta ao Distrito Federal, Durigan contra-atacou afirmando que o problema do BRB tem origem criminosa na gestão local e que a União atendeu prontamente ao apelo da governadora Celina Leão.
“A União, que não tem nada que ver com essa história, nós nunca tivemos relação com esse tipo de gente, foi chamada ao Supremo, a pedido da governadora”, criticou abertamente o titular da Fazenda.
Técnicos da Fazenda realizam diversas reuniões para analisar as garantias oferecidas pelo GDF, mas alegam que o principal entrave é a falta de um plano de negócios crível para a recuperação do banco.
O ministro garantiu que nada está parado no governo federal e que não há qualquer inércia, responsabilizando a gestão do Distrito Federal pela lentidão em apresentar propostas consistentes.
Críticas ao cenário político e oposição
Além da crise do banco, Durigan aproveitou para criticar a postura da oposição, mencionando propostas da campanha do senador Flávio Bolsonaro à Presidência que sugerem a criação de novos conselhos fiscais.
O ministro apontou uma contradição no discurso da oposição, que propõe pactos institucionais ao mesmo tempo em que mantém uma rotina de ataques frequentes à Suprema Corte e ao Congresso Nacional.
Por fim, o porta-voz econômico destacou que o presidente Lula mantém uma interlocução sempre democrática e respeitosa com os demais Poderes, algo que, segundo ele, falta na conduta dos opositores.