
O split payment vai inserir uma camada de validação tributária entre pagamento e recebimento, podendo gerar retenções e falhas se ERPs e bancos não estiverem prontos até 2027
O mecanismo do split payment muda a liquidação financeira das vendas B2B no Brasil, fazendo com que as instituições financeiras validem tributos no momento do pagamento.
Essa validação em tempo real pode bloquear ou reter valores sempre que houver divergência nas informações fiscais, impactando diretamente o fluxo de caixa das empresas.
Conforme informação divulgada pelo Portal Contábeis.
Como o split payment altera o fluxo de caixa
No modelo atual, a empresa recebe o valor integral da operação e recolhe o tributo no mês seguinte, o que preserva a liquidez imediata.
Com o split payment, a separação automática da parcela de tributos pela instituição financeira faz com que apenas o montante líquido chegue ao caixa, o que pode comprometer negócios de margens baixas ou que dependem de giro rápido de estoque.
A exigência de validação instantânea também muda a lógica do aproveitamento de créditos tributários, pois será necessária rastreabilidade e consistência na cadeia de recolhimento, transformando registros contábeis em pontos de auditoria em tempo real.
Desafio dos ERPs e das áreas de tecnologia
A maioria das plataformas de gestão do país foi projetada para processar tributos em lote, mensalmente, e não para validações instantâneas em cenários de alta volumetria.
O processo exige migração do cálculo de tributos de rotinas em lote para validações em tempo real, sem perda de desempenho, além de APIs robustas para comunicação com plataformas governamentais e instituições de pagamento.
No levantamento citado, “51% das organizações não possuem plano de ação estruturado para a reforma, 72% não dispõem de orçamento formalizado para adequação sistêmica até 2033 e apenas 31% classificam o tema como altamente prioritário”, o que revela baixa preparação do mercado.
Segundo a Gartner, “mais de 70% das iniciativas recentes de implementação de ERP não atingirão plenamente as expectativas de retorno até 2027”, o que amplia o risco operacional diante do cronograma de transição.
Riscos operacionais e fiscais
A integração do processamento tributário à liquidação financeira transforma cada transação em um teste de precisão fiscal e agilidade tecnológica.
Qualquer inconsistência pode gerar bloqueios, retenções ou falhas no recebimento, e a escassez de profissionais qualificados dificulta a correção rápida de problemas, elevando a probabilidade de interrupção do faturamento.
Além do risco de falta de caixa, há impacto na contabilização de créditos tributários, porque a validação exige prova da cadeia de recolhimento anterior, mudando a dinâmica de simples lançamentos contábeis para uma auditoria contínua.
Como se preparar até 2027
Empresas devem antecipar ações, começando por mapear processos de pagamento e identificar pontos de falha nas integrações entre ERPs, sistemas fiscais e instituições financeiras.
É necessário investir em sistemas de regras fiscais escaláveis, operar em nuvem, criar APIs para comunicação em tempo real e treinar equipes de TI e fiscal para responder rapidamente a inconsistências.
O período voluntário previsto para 2027 é uma oportunidade para testar integrações, identificar falhas e estabilizar processos antes da possível obrigatoriedade, aproveitando o tempo para modernizar sistemas e adaptar controles operacionais.
O artigo original que motivou esta reportagem foi publicado no Portal Contábeis, a partir do texto de Roberto Abreu, diretor de soluções da Blend IT.



