
Relatório de Transparência Salarial expõe persistente disparidade salarial entre gêneros no Brasil, com mulheres recebendo significativamente menos que homens.
A igualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil continua sendo um desafio significativo, apesar do crescente número de mulheres no mercado de trabalho formal. Um novo relatório aponta que a diferença salarial se mantém alta, gerando preocupação e a necessidade de ações mais efetivas.
O levantamento, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério das Mulheres, revela que a remuneração média das mulheres é 21,3% inferior à dos homens em empresas de médio e grande porte. Essa disparidade começa já na contratação e se estende por toda a carreira profissional.
Apesar do cenário, o aumento da participação feminina no emprego formal é um ponto positivo. No entanto, os dados indicam que essa expansão não tem sido suficiente para diminuir a lacuna salarial de forma proporcional. Especialistas destacam a importância de políticas direcionadas para além do aumento de vagas.
Desigualdade Salarial: Números Alarmantes
O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, baseado em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), mostra que a remuneração média das mulheres é de R$ 3.965,94, enquanto a dos homens atinge R$ 5.039,68. A diferença de 21,3% é praticamente a mesma do relatório anterior, que registrou 21,2%.
A disparidade também é evidente no salário de admissão. Em 2023, o salário mediano de contratação para mulheres era 13,7% menor que o dos homens. Agora, essa diferença aumentou para 14,3%, indicando que a desigualdade salarial tem início logo no momento de ingresso no mercado de trabalho.
Aumento da Participação Feminina, Mas Não da Renda
O número de mulheres empregadas formalmente cresceu de 7,2 milhões para 8 milhões, um aumento de 11%. Para mulheres negras, o avanço foi ainda mais expressivo, com um salto de 3,2 milhões para 4,2 milhões, representando uma alta de 29%.
Contudo, a massa salarial das mulheres subiu de 33,7% para 35,2%, permanecendo abaixo de sua participação total nos vínculos de emprego, que é de 41,4%. Para que a remuneração acompanhasse essa presença, seria necessário um acréscimo estimado de R$ 95,5 bilhões na renda das trabalhadoras.
Variações Regionais e o Impacto da Raça
Existem diferenças regionais significativas na desigualdade salarial. Os estados onde a remuneração feminina mais se aproxima da masculina são Piauí (92,1%), Acre (91,9%), Distrito Federal (91,2%) e Ceará (90,5%).
Por outro lado, as maiores disparidades ocorrem no Espírito Santo, onde as mulheres recebem apenas 70,7% da remuneração masculina, seguido pelo Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%). A desigualdade racial agrava ainda mais o quadro, com mulheres negras recebendo em média R$ 3.026,66, enquanto homens não negros registram rendimentos médios de R$ 6.560,02.
Avanços e Desafios nas Políticas Corporativas
O relatório indica avanços em algumas práticas internas das empresas, como o aumento na proporção de empregadores que promovem mulheres (de 38,8% para 48,7%) e a implementação de flexibilização de jornada e auxílio-creche.
No entanto, iniciativas voltadas à contratação de mulheres com deficiência, mulheres LGBTQIA+ e chefes de família permanecem estáveis, demonstrando a necessidade de expandir políticas de diversidade e inclusão no ambiente corporativo. A legislação de igualdade salarial exige transparência e medidas corretivas por parte das empresas para sanar distorções salariais entre homens e mulheres que exercem a mesma função.



