DREX: impactos contábeis da moeda digital do BC

Escrito por Andres Lustosa - Contador e CEO
em 8 de agosto de 2025

DREX: impactos contábeis da moeda digital do BC

O drex, versão em moeda digital do real brasileiro, inicia a segunda fase de testes regulatórios em 2025 e já exige que escritórios contábeis revisem políticas de classificação de caixa, conciliem saldos em tempo real e reforcem controles de KYC para evitar riscos de lavagem de dinheiro. A iniciativa, conduzida pelo Banco Central, prevê emissões controladas de tokens soberanos conversíveis a uma taxa de um para um com o real físico, criando novo elemento de ativo financeiro nos balanços das companhias.

Panorama regulatório e cronograma de adoção do drex

Em abril de 2025 o Banco Central publicou diretrizes técnicas que ampliam o piloto para instituições de pagamento não bancárias, detalhando critérios de liquidação atômica via contratos inteligentes e uso de APIs padronizadas. O documento estabelece que a plataforma definitiva do drex entre em operação comercial em 2026, com fase preparatória de cadastramento de chaves e trilhas de auditoria blockchain durante todo o segundo semestre de 2025.

Requisitos de transparência e KYC

A circular conjunta do BC e do Coaf intensifica políticas de “know your customer” na camada varejo, impondo testes biométricos para abertura de carteiras digitais e relatórios de transação suspeita em até 24 horas. Tais obrigações recaem sobre instituições financeiras e impactam a reconciliação contábil, pois cada transferência de drex carrega metadados de titularidade que precisam refletir-se nos registros de clientes e fornecedores.

Classificação contábil do drex segundo IFRS

Enquanto o CPC ainda discute norma local, orientações baseadas no IFRS sugerem classificar moedas digitais de banco central como ativos financeiros indexados a curso legal, diferindo de criptoativos privados normalmente tratados como intangíveis. Nos casos em que o drex for mantido para liquidez imediata, o ativo tende a integrar “Caixa e equivalentes de caixa” nas demonstrações financeiras, exigindo divulgação específica na nota de políticas contábeis.

Medição inicial e subsequente

Na data de aquisição, o reconhecimento ocorre ao valor nominal de emissão do drex, sem ágio ou deságio, pois não há variação cambial. A mensuração subsequente permanece ao custo, dadas as características de estabilidade do token, salvo provisões para perda esperada caso a contraparte do custodiante apresente risco de crédito.

Conciliação bancária e escrituração em tempo real

A tokenização estatal viabiliza liquidação instantânea, o que pressiona processos de conciliação a migrarem para métodos contínuos. Cada evento blockchain gera hash de verificação, e sistemas ERP precisarão importar esses dados para ajustar subcontas de forma automática, mantendo rastreabilidade entre a carteira de drex e contas bancárias tradicionais. Além disso, diferenças devem ser investigadas imediatamente, pois a janela de contestação é reduzida pela imutabilidade do registro distribuído.

Implicações tributárias

Embora o drex não gere ganho cambial, operações que envolvem descontos ou remuneração em tokens podem configurar receita financeira sujeita a IRPJ e CSLL, conforme precedentes sobre descontos concedidos em meio de pagamento próprio. A escrituração deve segregar tais rendimentos e apurar tributos na competência, evitando contingências.

Controles internos e governança sobre o drex

A adoção institucional do drex impõe ciclos de aprovação dual e segregação de funções, dado que a chave privada detém poder irreversível de transferência. Controles de acesso lógico devem ser revisados à luz da NBC TA 315 (R2), que obriga o auditor a avaliar riscos decorrentes de novas tecnologias. A ausência de trilhas adequadas pode resultar em opinião modificada na auditoria independente.

Testes de impairment e apresentação

Como não existe mercado ativo que reflita valor distinto de face até o momento, não se espera impairment do drex; contudo, perdas podem surgir se houver falha sistêmica no custodiador, o que exige divulgação de riscos operacionais na nota de instrumentos financeiros. A apresentação no balanço deverá segregar os saldos da moeda digital em linha própria, somada aos equivalentes de caixa para fins de análise de liquidez.

Agenda 2025 para adoção do drex

Com o cronograma de testes avançando e diretrizes contábeis em elaboração, a implementação do drex em 2025 demanda reconfiguração de ERPs, adaptação do plano de contas, políticas robustas de KYC e conciliação contínua para assegurar integridade dos registros e conformidade regulatória. Escritórios que estruturarem esses controles desde já reduzirão riscos de retrabalho e inconsistências quando a moeda digital se tornar meio de pagamento cotidiano em 2026.

Autor: Andres Lustosa

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